A Natureza e a Espiritualidade




Chalice Well, Glastonbury, Inglaterra.

A busca pela origem da vida e as velhas perguntas, ‘quem sou?’, ‘de onde vim?’, ‘para onde vou?’, permearam, desde a pré-história, as mentes e corações de nossos ancestrais. E através da observação da natureza eles buscaram entender as leis que regem essas forças invisíveis e assim otimizar o relacionamento com o imanente, o transcendente, o Grande Espírito, a Grande Mãe.

Num primeiro momento esses homens e mulheres eram caçadores e coletores e estavam à mercê das forças da natureza. Mas, com o passar do tempo, eles foram entendendo essas forças. E foi dessa forma que eles desenvolveram tecnologias que revolucionaram suas formas de vida: ascender o fogo, a agricultura, a arte de tecer, de fazer utensílios domésticos, domesticação dos animais, trabalhar com materiais como madeira, couro e argila, a metalurgia, a arte da cura, entre outras.

Os povos antigos, e algumas tradições que ainda sobrevivem, viam-se como parte da natureza e não como seres acima/fora dela. Dessa forma, cada existência era considerada sagrada e honrada como tal, e a muitas delas foi concedida o status de Deus/Deusa. A observação e a relação com a natureza foram fundamentais para isso e desta forma foi sendo organizada uma religião completamente conectada com à Terra e seus ciclos: seca/cheia, solstícios/equinócios.

Assim nasceram as festas agrícolas, que proporcionavam à comunidade viver internamente, exatamente aquilo que a natureza estava vivenciando: inverno = morte, primavera = renascimento, verão = vitalidade, outono = preparação para a morte. Nesses momentos eles também pediam bênçãos aos Deuses, agradeciam à colheita, honravam seus ancestrais, festejavam a fertilidade da terra. A natureza não briga, ela não tem ego ou vaidades, ela não controla, ela simplesmente segue o fluxo.

Num mundo literalmente ligado na tomada 24 horas por dia, bombardeados por informações, lives, opiniões, youtubers, blogueiros, … quando temos tempo para nós? Quando nos desconectamos de tudo isso para respirar? O que eu sinto? O que eu penso? Minha vida está alinhada àquilo que minha alma almeja? Minhas escolhas de vida me realizam como ser humano? Quando eu me proponho a viver o inverno dentro de mim e deixar morrer aquilo que precisa?

Partindo do pressuposto de que o mundo externo reflete o meu mundo interno, quando que eu observo a minha caminhada e as devolutivas que a vida dá a respeito das minhas ações e escolhas? Ou eu simplesmente sigo em frente, sem avaliar a rota seguida?

A natureza é a voz da Deusa, é a voz de Deus, soprando aos nossos ouvidos: siga o fluxo, veja como eu faço. Eu não produzo o ano inteiro. Eu também me retiro para as profundezas da terra, deixo as minhas folhas caírem, mas eu renasço sempre! A natureza é a grande bússola deixada de presente para que pudéssemos continuar rumo ao nosso Norte! Observe a natureza, pois ela é a manifestação do divino, bem à nossa frente!!

Chalice Well, Glastonbury, Inglaterra.

 “O homem é a espécie mais insana. Ele adora um Deus invisível e destrói uma natureza visível. Sem saber que essa natureza que ele está destruindo é esse Deus que ele está adorando”, Hubert Reeves.


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