Sagrado Feminino

O que é o Sagrado Feminino

Vênus de Chanapata – Peça em exposição no Museu Histórico Regional de Cusco

            Marija Gimbutas, arqueóloga Lituana que trabalhou nos EUA, analisou e estudou os artefatos, as pinturas rupestres, as estatuetas, os sítios arqueológicos que remontam aos Períodos Paleolítico e Neolítico. Após longos anos de estudo ela constatou que, diferentemente da imagem arquetípica feita do homem pré-histórico, nossos ancestrais eram bastante pacíficos e igualitários. São evidências científicas que ela descreve em sua diversa produção acadêmica, como por exemplo nos livros: As Deusas e Deuses da Antiga Europa (The Goddesses and Gods of Old Europe), A Linguagem das Deusas (The Language of the Goddesses) e a Civilização da Deusa (The Civilization of the Goddess), ambos sem tradução para o português. Para quem quiser aprofundar sobre o tema a Palas Athena publicou no Brasil o livro Entre o Cálice e a Espada, de Riane Eisler, nele a autora faz uma linda descrição sobre esses períodos da história da humanidade alinhada aos estudos de Gimbutas.

            Mas porque estou falando sobre isso num texto sobre o Sagrado Feminino? Porque os estudos de Marija Gimbutas foram fundamentais para trazer à tona uma perspectiva de como viviam essas sociedades adoradoras da Deusa. E é através dessa perspectiva que nós do Sagrado Feminino buscamos a nossa inspiração.

 Eram tempos diferentes, o homem não conhecia o seu papel na procriação e havia uma correlação muito grande entre a terra e a mulher, pois ambas geram vida através dos seus corpos. A mulher era considerada sagrada e a Deusa regia o ciclo de vida-morte-vida, cabia a ela todos os símbolos de poder. A descoberta da agricultura trouxe a sedentarização, o surgimentos de tecnologias e o estabelecimento das primeiras cidades. Com isso veio a necessidade de mais alimento para sustentar uma população cada vez maior e junto com essa necessidade o estabelecimento de uma religião fundamentada, com dogmas, ritos e festas agrárias. Festas essas que enalteciam a fertilidade da terra e estavam alinhadas ao tempo da natureza.

A domesticação dos animais trouxe aos poucos a consciência do papel masculino na procriação. Com o passar do tempo a relação mudou entre os dois sexos e novos costumes chegaram. As religiões passaram a ter em seus panteões fortes Deuses masculinos e a Deusa foi perdendo seu espaço e seu poder foi sendo fragmentado. E por fim chegou um tempo em que a humanidade ficou órfã do princípio criador divino feminino. Pois as principais religiões da atualidade possuem apenas Deuses masculinos e esses não menstruam, não gestam, não amamentam. Então pode-se dizer que Sagrado Feminino é o retorno da Grande Mãe na psique e no coração de homens e mulheres, vindo dessa forma complementar a força espiritual do Grande Pai. Pois tudo tem os seus princípios Feminino e Masculino, conforme a Lei Hermética do Gênero descrita no livro O Caibalion.

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